A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo significativo no combate à epidemia de HIV no Brasil ao aprovar o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). A decisão, anunciada recentemente, insere uma nova e poderosa ferramenta no arsenal de prevenção, destacando-se por sua forma de administração inovadora: uma injeção subcutânea que necessita ser aplicada apenas a cada seis meses.
O lenacapavir é um antirretroviral de primeira classe que atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1, impedindo a replicação viral. Sua principal vantagem reside na simplificação do regime de tratamento, superando o desafio da adesão diária, comum na PrEP oral tradicional. Estudos clínicos apresentados à Anvisa demonstraram a alta eficácia do Sunlenca, atingindo 100% de eficácia na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero e 96% de eficácia em comparação com a incidência de HIV de base.

A indicação do fármaco é destinada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que se enquadrem no grupo de risco para contrair o vírus. É crucial que, antes de iniciar o tratamento, o paciente realize um teste com resultado negativo para HIV-1.
Apesar da aprovação regulatória, a disponibilização do medicamento no país ainda depende de etapas burocráticas. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo de venda, e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avaliará sua inclusão no SUS. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia recomendado o lenacapavir em 2025 como uma opção adicional para PrEP, classificando-o como a melhor alternativa disponível, exceto por uma vacina, que ainda não existe para o HIV.