Produtores de cacau realizaram um protesto no distrito de Pedra Branca, em um trecho da rodovia que liga os municípios de Gandu e Algodão, no sul da Bahia, em reação à grave crise enfrentada pelo setor cacaueiro. A manifestação ocorreu no domingo, 25 de janeiro, e reuniu agricultores, meeiros e trabalhadores rurais que dependem diretamente da lavoura do cacau para garantir renda e subsistência.
O ato foi motivado principalmente pela queda acentuada no preço do cacau, que nos últimos meses deixou de cobrir os custos de produção, segundo os manifestantes. Produtores afirmam que, após um período de valorização da commodity, o mercado sofreu forte retração, impactando especialmente os pequenos agricultores da região cacaueira. Entre os fatores apontados está o aumento da importação de cacau africano, que amplia a oferta no mercado nacional e pressiona para baixo o valor pago ao produtor baiano.
Durante o protesto, os manifestantes interditaram parcialmente a via, causando lentidão e congestionamento nos dois sentidos. Cartazes e palavras de ordem cobravam medidas urgentes do governo, como maior controle sobre a importação, políticas de proteção ao produtor nacional e ações que garantam preços mais justos para o cacau produzido na Bahia. A mobilização chamou a atenção de motoristas e moradores da região, evidenciando a insatisfação crescente no campo.

A crise do cacau atinge diretamente municípios do sul do estado, onde a cultura tem papel histórico e econômico fundamental. Produtores alertam que, sem apoio e intervenção, muitas propriedades podem se tornar inviáveis, gerando desemprego, endividamento e abandono das lavouras. O protesto em Pedra Branca reforça o clima de tensão no setor e se soma a outras mobilizações realizadas recentemente na região cacaueira, que pedem soluções concretas para garantir a sobrevivência da atividade e das famílias que vivem dela.